Arquivo da categoria ‘Telhado de Duas Águas’

Casa Arcano

Agosto 28, 2009

O que tem haver uma coisa com a outra? Ela perguntou. Talvez dali viesse resposta que mais ninguém imaginava. Do porque do movimento que a Terra faz nos deixando mais velhos e burros. Sim, burros. Dela não criava-se meias palavras;

O haver era somente o detalhe que ousava incomodar seu quadro de filosofia avançada que estudou há anos e que acabara de formar-se na faculdade. Tudo ainda era muito teórico na praticidade que a vida em si exigia. E ela se exigia por extremo. Começou depois do dia que os astros lhe influenciaram positivamente a realizar uma viagem que a relaxasse e tirasse um pouco o peso da pressão de tudo que vinha até ela, em todos os sentidos e aspectos da até então “vida normal”.

Uma coisa era cabível e compatível com o que julgava conhecer de si. E nesse momento soube que tudo viria água abaixo. Que nada adiantou perder tempo decorando o que estudou pra fazer um ponto a mais no resultado final dos concursos que prestava. Decidiu que houvesse o que houvesse estaria preparada.

Outra coisa era só o que sobrava desde então. De se fazer entender pelas palavras que saiam tortas. Conseguia sonhar uma noite e esquecer de manhã com facilidade tremenda. Dormia convicta acordava contradição pura. Um ‘a’ abalava com sofreguidão seu pólo e equilíbrio distante. Seus búzios e mandingas não valiam dentro da filosofia que prendia seus atos e estaria enganando há ninguém.

Soube do alto do primeiro momento que não podia estar certa, mas insistiu devagar no andor e que até hoje recolhe os restos do que plantou tão tempestuosamente antes. Ela não sentava e esperava como sabia ser;

Era seu regente e pouco podia fazer pra lutar mais do que suas forças agüentariam. A explicação não tão obvia só piora a cicatrização da ferida. Não dá pra ser mais claro que o dia.

Que seja uma coisa boa e outra que possa melhorar

Casa Radar

Junho 4, 2009

Era só mais uma tempestade no meio de um metro de tamanho dizendo adeus na janela, vindo junto com a aproximação do momento finito. Ali estava no mais profundo pesâme da explosão como um clarão vindo do sul a partir da esquina de casa. Tudo visto assim nem parece tão simples quanto é. Uma parede de invisibilidade que permeia dentro da cabeça da gente e de repente abre o mundo das possibilidades esclarecedoras do que lá no fundo tememos. Algo alto feito pra clarear e indicar caminhos noturnos nem sempre serve quando estamos sem esperança alguma.

Agora bate um vento que incomoda muito e busco pelo cachecol, afim de proteger o ouvido que tilinta como um sino ao sinal do mesmo vento ecoando no radar da aeronave exposta a turbulência. Do que me vem à essa ilha de ondas azuis e escuras, só uma parte de  mim sumiu nesse radar inalcansável. Me procuro atráves das partes soltas que ainda chegam isoladas como esse porto em que flutuo.

Se ao menos aqui existisse uma garrafa, um pedaço de papel e um lápis: A chuva nem sempre chega, o sol nem sempre faz calor. Apenas mandam lembranças.