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O Cheiro do Freio do Trem e os Outdoors Fantasmas

Junho 19, 2009

Acho que tudo tem haver mesmo com o frio. O amendoim me faz lembrar do trem velho e aquele cheiro peculiar do freio. Do tempo que na Luz subia escadas e atravessava a rua Mauá pra pegar o metrô. Deve ser sintomatico isso. A civilização evolui parece. Os ônibus ganham novas cores, corredores exclusivos, destinos nunca d’antes alcançados. Reinterpréto da minha maneira o que dizem os outdoors que existiam antes do Kassab. Como agora que concluo que a solução definitiva pra mim está longe e no passado. São Paulo é a resposta, mas existem outras alternativas dentro da cidade. No que acho sinceramente que esse blog já não ajuda mais a dispersar o que fica emaranhado nas entranhas das idéias que não saem do papel. Só me atropela tentar desvendar de onde vem o cheiro de pipoca. O mesmo cheiro que exalava o carrinho na porta da estação da Lapa em mil novencentos e alguma coisa. Tanto lá quanto aqui o mundo tenta me dizer a mesma coisa, a diferença está na falta de outdoors.

Aprenda a Flertar No Metrô Paulistano

Junho 9, 2009

Oi, como faço pra chegar na Barra Funda?/ Desce na Sé e… ó eu tô indo pra lá também, se quiser pode me acompanhar…/ Ok. Acompanho sim.

Enquanto isso, talvez um tanto amoada, soube que de São Paulo só podia guardar mapas e levá-los junto pra onde quer que fosse. Os meninos são bonitos e deixam boa impressão se olhar bem.  Às vezes escondidos em capas e poses mas de certa forma isso é um colírio para os olhos, esses não são de dobrar.

Ela preparou o melhor olhar, pensou num assunto que soasse despretensioso, quase blasé, passou a mão no cabelo e depois no colo e depois no cabelo de novo. Ohou pela janela a rodoviária passar e depois a Marginal. Ameaçou a frase e um sorriso. Pode ser. Sem saber que podia ir além do modo mais besta de começar um flerte.

É por ali ó, vem./ Por ali, tá. To indo. Obrigado.

Obrigado nada, pensou. Qual a melhor maneira de pedir seu telefone. Eu estou sozinho em casa nesse final de semana, acho que posso te convidar pra tomar um café aqui no centro e depois curtir um rock na Clash ou no CB. E se rolar… minha casa é ali do lado mesmo. Mas te digo, sem segundas intenções (claro que  é, e ela sabe e até acho que ela gosta).

Por nada, por nada. Que isso./ É que eu acho tão complicado essa coisa de integração e tal./ É.. não é mesmo?! Deviam melhorar a comunicação visual./ É…

Comunicação visual. O que ele quis dizer?

Comunicação visual. O que eu quis dizer!

Agora é só ir até o final./ Ah tá. Acho que daqui eu sei ir./ É… daqui tá fácil./ Hã hã.

Na verdade, porque já não desce comigo. Tá na hora do almoço, a gente pode conversar, trocar uma idéia e dependo de como for a tarde… Tá entendendo? Tá né. Eu sei. Você fica com essa carinha de bobinha que não sabe chegar na Barra Funda, mas foi só pra puxar assunto né. Pra ver se eu teria coragem de pedir seu telefone, porque no fundo você tá ocupada, mas até largaria o que tá fazendo pra tomar um suco comigo, e que só não vai fazer isso porque senão seria meio “fácil” da sua parte. Eu sei como você pensa. Viu?! Pensou que ia me enganar…

Eu desço aqui. Tchau! (sorriso amarelo no cantinho da boca)/ (sorriso amarelo no cantinho da boca) Ah… aqui já né… eu vou até a próxima mesmo. Tchau.