Arquivo da categoria ‘Cotidiano Anônimo’

Pindamonhangaba

Outubro 13, 2009

Tava lá na passagem: horário de saída 20:45. Aproximadamente duas horas de viagem. (A gente arruma mala com cautela, calculando todo espaço interno, centímetro por centímetro usado. Ajeita as calças mais pro canto, coloca as toalhas por baixo… Depois acaba nem usando todas as camisas que levou.)
Chegar na rodoviária é uma viagem à parte. Sair correndo em cima da hora, quase atrasado, ajuda bastante também. O trem vai devagar e dá a sensação que o ônibus vai embora sem você. O metrô até a rodoviária, como sempre, ajuda a recuperar um pouco o tempo. Em dois minutos e meio a gente chega lá. Dai o que se mais vê é gente de todo tipo por todo lado num movimento frenético. Alguns sentam no chão pacíficos enquanto outros dispensam a educação numa fila, por exemplo.
Eis que chega a hora de embarcar. Quase que num ritual as pessoas entregam o ticketzinho pro cara verificar o nome e RG e desejar boa viagem. Um por um vão subindo e sentando em seus respectivos lugares. As luzes do veículo apagam o motor liga e tchau pra quem é de tchau e que ficou antes da porta de embarque num abraço, um aceno, um até logo. Até sair da cidade e pegar a estrada leva um tempo no trânsito. Mas pra frente as luzes da cidade diminuem. O escuro começa a tomar conta. A viagem te dá sono. A perna começa a formigar. A gente cochila. Passam-se as cidades fora da janela no mesmo tempo que alguém termina de ler a parte que está do livro. A gente tenta adivinhar onde cada cidade começa e acaba. Procura no céu alguma estrela pra guiar. E logo o destino chega. A estátua e o letreiro da cidade não desmentem.
Uma cidade onde a cada 100 metros têm barraquinhas de lanche, só pode ser muito legal. A prefeitura fica de frente à rodoviária. A avenida, quase a única, uma imensa linha reta, leva até um dos dois viadutos da cidade. Passando o viaduto chega-se ao centro. Uma cidade onde em todas as praças existem aparelhos pra atividade física, só pode ser muito legal.
Fiz compras na cidade, andei pela feira do “troque seu usado por um mais usado ainda”. Só não tomei tubaína. Andei de ônibus. Fui ao parque às margens do Rio Paraíba. Lá ainda tem um encoradouro dos tempos em que barcos navegavam pelo rio. Lá tem o trenzinho ou bonde que sobe rumo Campos do Jordão, mas precisa marcar a passagem com muita antecedência. Dos viadutos é possível ver quase toda a cidade, mas se vê todos os treze prédios. As entregas são feitas de bicicleta. Alguns estabelecimentos funcionam só até às 23:00. Pedido de pizza deve ser feito antes das 8 porque há o risco de não chegar depois.  Uma cidade que chama uma avenida de ligação entre duas avenidas principais de rodo-anel só pode ser muito legal. A poeira que levanta, os sons da rodovia, os sons peculiares, o caminhão-pipa que passa a cada duas horas lavando o chão e transformando a poeira em lama. Toda essa meia bizarrice faz da cidade muito simpática. É contraditório mas se faz verdadeiro. Não há como não achar muito legal uma cidade que promove uma passeata/ desfile de hare krishnas pelo centro e suas ruazinhas apertadas e cheias de carro. Não há como não achar muito legal uma cidade que toca música nas praças pelas caixinhas de som penduradas nos postes. Você anda até a beira da rodovia pra ver os romeiros caminhando até Aparecida, ou mesmo pra brincar de contar quantos carros, caminhões ou ônibus passam. As pessoas ainda ficam impressionadas por você ser de São Paulo. Muitas delas te conhecem pelo nome (caso do meu tio) ou pelo status (sabem que eu sou sobrinho do meu tio). Lá os caras saltam de paraquedas numa das coisas mais legais pra se ver do chão. O cara cai do céu como uma flecha até puxar a cordinha e ficar passeando e rodeando a cidade. Tem também os caras do motocross que levantam mais ainda a poeira e brincam nos seus saltos como se estivessem pulando sobre colchões. Veja: uma cidade onde as rotatórias têm nomes, só pode ser muito legal. Uma cidade com tudo isso só pode ser muito legal.
O único senão: Oito linhas de ônibus atende toda a cidade. Algumas são circulares. São sempre 40 minutos esperando a próxima condução. Alguns bairros só tem uma entrada e saída e uma rua. Os ônibus entram vão até o final da rua contornam um campo e voltam pela mesma rua. Você gasta R$2,40 pra ir do Centro até a rodoviária, o trajeto dá mais ou menos 1Km… Existe um esquema de integração com validade de até uma hora (o mínimo visto que se espera 40 minutos por um ônibus) mas não é um primor e eu também não sou crítico de transporte público. Mas que é um absurdo o preço da passagem em relação ao tempo e distâncias, isso é. No entanto é melhor ter um carro. Ou uma bicicleta: uma cidade onde os homens andam de bicicleta cor de rosa com cestinha só pode ser muito legal.
A volta é sempre do mesmo jeito: por mais que você não tenha amado o lugar, já fica com saudade antes mesmo de dormir no dia anterior. Você arruma as malas e tem mais problemas, porque afinal de contas você comprou coisas e precisa encaixá-las na mala. Sai bem antes do que precisa temendo o horário dos ônibus e um possível atraso. O ritual todo se repete. E tudo que se viu na estrada agora passa no inverso.
Desfaça-se a mala. Guarda a passagem. E até a próxima.

Quem Disse Que Não Dá

Agosto 31, 2009

E você passa um dia ótimo cercado de amigos e pessoas que te fazem se sentir bem. Dentro desse tempo o resto é bobagem. Ninguém se incomoda em perder tempo procurando vaga pra estacionar o carro. A maior preocupação é ter saido de casa de calça e não de short.

Esse é um post confessional: acho que perdi a mão das coisas. Essa que eu nunca tive bem apurada desde sempre. Estou sem chão sem lugar. Me sinto assim meio sem saída. Cheio de ideais e convicções que parecem certos e só se fazem vazios na forma. Tô cansado de apanhar da vida. Mas a gente sabe bem que o segredo não é o quanto apanha mas o quanto a gente consegue levantar e continuar. Ainda tenho por quem lutar se não por mim. E só por isso não dá pra desistir.

Assaltaram à meu irmão e à mim; levaram o celular, dinheiro, blusa e uma latinha de leite condensado com um  pacotinho de granulado. O celular foi bloqueado, não vai dar pra usar o que tinha de crédito. O dinheiro vai bancar a droga. Espero que possam fazer bom proveito da blusa preferida do meu irmão. E tomara que eles tenham conseguido abrir a latinha de leite condensado e matado um pouco a fome.

Som & Fúria

Julho 17, 2009

Das coisas normais, (sim, das coisas normais. até porque o amor nada de normal tem. ele pode até durar pra sempre, mas nem todo dia o é. há quem faça por amor o que machuca e mente, mas ainda sim, talvez por ser par, ou talvez ser contrário e talvez por isso, ao ódio, criar ramas na indiferença dos que amam certo. porém, que fique claro que o amor é especial e por esse motivo, incondicional, quase infálivel, é que o mais infálivel dos sentimentos, não conta na simulação e comparação que farei simplesmente, até mesmo pra não me perder mais do que já me sinto perdido.) dessas que passam, o que mais tem me feito bem é assistir a série “Som & Fúria”. Nada tem me dado mais prazer. Tenho ido dormir pleno de alegria verdadeira. Uma paz incontestavel que não sentia mais vendo TV. Lógico que é uma trama que me interessa, mas nem é exatamente por isso. Tudo ali encaixa de forma única. Roteiro, direção e atuação. E desse lado de cá eu fico feliz. E pode ser que eu me veja instigado por parecer que dali de dentro eu possa me achar aqui fora. Ou seja, se comparado com o amor que salva, é mais uma boa dica do que fazer da vida quando essa parece não dar mais jeito. Como se fosse um sinal de que as coisas acontecem bem dessa forma: Vai ser mais difícil, porém, -vem um tapinha nas costas em forma de entendimento e apoio, quase solidariedade às minhas causas, sabe?- você consegue!, é como se a série me dissesse. Talvez seja por isso que tem me feito bem. Tudo ali tem todo o potencial e acho que isso é a relação comigo, com minha alegria. Sei que vai dar certo. E não precisa de ser ou não ser. Só precisa saber e estar.

Então repara só nesse episódio, o de número 6, exibido quarta, dia 15/07. Foi intenso. Uma das melhores coisas que eu já vi (sem falar na trilha sonora, perfeita!). E ao contrário do que eu podia esperar de mim, ao final soltei um sorriso de satisfação, essa plenitude de que falei, e não chorei como era de se esperar de mim. E dai é que me dei conta da evolução (sic) que passei. Uma transformação (sic de novo! ou hahaha fica melhor?) Eu tenho sido eu, não tenha duvida. Mas tenho sido mais leve depois da meia-noite.

“O que aconteceu? não sei. foi novo!”

Atualização 27 de julho: Os videos foram removidos do You Tube.

PS.: Ah! No amor eu vou muito bem, obrigado!

Bolo de Milho

Julho 1, 2009

Toda fase de entresafa é assim, como o cheiro do bolo de milho que vem da cozinha e vai embora pelas janelas abertas incomodar os vizinhos. Tudo ganha outra perspectiva, outro termo de comparação, os valores se renovam, a gente continua dobrando os medos e seguindo enfrente. Não que isso seja o essencial pra levar a vida numa boa. Mas quem é que recusa um pedaço de bolo de milho?

Sarney

Junho 26, 2009

Excelentíssimo Senhor José Sarney, já deu a hora.

Estava pensando rapidamente no reputação do nobre congressista desde dos tempos em que era Presidente. Tenho lembranças sólidas dessa época dos Cruzados que pedia ao meu vô para comprar doces no bar. Sua imagem está diretamente ligada a essas memórias vivenciadas na infância. Sempre respondia as perguntas que meu vô me fazia, pra se gabar que tinha um neto inteligente. Entre tantas outras coisas como, qual o menor mês do ano, quem é o atacante do Palmeiras, o que combina com queijo, ele sempre me perguntava se eu sabia quem era o Presidente do Brasil. Era o trunfo que ele guardava na manga diante os amigos de bar. Qual dos filhos ou netos deles saberiam responder algo tão… tão… sério. Sim. Sério. Meu vô o achava digno do cargo que ostentava. Não sei bem porque ele pensava isso. Vai ver o senhor de fato merecesse e fosse digno da confiança do meu vô.

Seu Sarney, era como eu respondia ao meu vô, orgulhoso diante os amigos de bar.

Seu Sarney já deu a hora não acha. Pelos que já não confiam mais no senhor e principalmente pela memória do meu avô.

Galão de 10 Litros

Junho 18, 2009

Não sei sobre o que isso vai diferenciar um dia comum de outros menos comuns ainda, como quando eu estava trilhando caminhos deitado em minha cama de solteiro em algum lugar perto de um abismo quase infinito, mas digo sem afastar qualquer causa incoveniente de se presupor a isso, que talvez não ter o que dizer como já foi dito outras vezes antes também, possa ser benefico. Outro ponto de vista a favor do esquecimento infâme e covarde da nossa própria falta de senso comum. O popular bom senso. Por hoje é só o que se sabe de coisas fúteis acumuladas dentro da bandeja do dia a dia tão trópego que nos encontramos presos (alguns já fuzilados). Por falta de R$4,50. A água não chegou.

O País Do Futebol

Junho 3, 2009

O Fantástico colocou no ar, domingo, essa matéria em que a mãe de uma jovem aceita vendê-la por 500 reais. No alto de alguma indignação, seja pela constatação do absurdo ou pelo conformismo de entender que sempre aconteceu, acontece e acontecerá sempre, afirmo que não sou contra uma pessoa ser vendida.

O problema em questão, é que os prováveis compradores são aliciadores. Essas meninas, vão para outros estados para se prostituir a troco de nada. Em alguns casos elas partem do país pra sabe lá deus onde, e se um dia voltam pra casa. Essa mãe, é lógico, não é a única a negociar a filha. Mas é minoria. Na maioria dos casos, as famílias são pobres, porém, dentro de suas instruções, jamais venderiam a própria filha.

Defendo a venda como forma de, alguém com dignidade e caráter suficiente e condições minimamente boas, poder sustentar essas meninas, dando ao menos um rumo quanto a educação e estudo.

Mas sei que isso é só utopia da minha parte.

Ainda Sobre As Sedes

Junho 2, 2009

Um adendo muito especial tenho de fazer antes de mudar de vez de assunto. Cinco cidades que concorriam a  sedes da Copa 2014 não serão utilizadas. Entre elas está Rio Branco, capital do Acre. Mas ai está também um mistério:  o Acre sequer existe! Existe? Alguém sabe? Já foi pra lá?

Na melhor das hipóteses, se existe, faz parte da Bolívia…

Crítica

Junho 1, 2009

Agora que as cidades sedes pra Copa de 2014 foram escolhidas e o ufanismo já está com tudo, começa outra etapa: a de se adaptar. E se adaptar passa por toda infra-estrutura.

Manaus por exemplo, vai gastar mais de 500 milhões de reais pra construir uma arena com capacidade pra 45 mil torcedores. E depois da Copa, pra quê essa arena será usada? Será um elefante branco? Será que todas as bandas do mundo incluirão Manaus nas turnês? Será que a seleção brasileira deixará de jogar na Europa e só jogará lá? Ou será que o Nacional (AM) se tornará o time mais rico do mundo só pela venda de ingressos?

E em São Paulo o Juvenal Juvêncio só pode estar de brincadeira dizendo que o Morumbi é um lugar de fácil acesso. Só se for pra quem mora na Vila Sônia, Paraisópolis e adjacências. A estação mais próxima do Metrô paulistano, vai estar à 1,5 Km. Ele também exagera quando diz que a rede hoteleira da Marginal Pinheiros é ‘do lado’. Mas tenho uma solução presidente Juvenal: Transporte o Morumbi até a área do CT e vice-versa!

Vou me ater à essas questões por enquanto. Mas em um país onde a miséria ainda existe, onde um Estado inteiro sofre com enchentes, onde a educação nunca foi das melhores e onde a violência sempre assusta, Copa do Mundo nenhuma devia ser prioridade.

Sem Título

Maio 18, 2009

Apenas o resto do que está por vir. E enquanto não acontece, a decisão tem de ser mantida. Até mudar de vez um novo começo.