Arquivo da categoria ‘Anonimato’

Velhidade

Novembro 12, 2009

Estou velho. Sim, eu sei. Está no meu rosto. Está no espelho. Consegue perceber? Já não dá pra esconder o cansaço. Está transparente nos olhos e até no jeito de sentar, quase apoiando as costas no assento e encostando a cabeça onde for menos desconfortável, me entrego. Finalmente a piadinha do “junta tudo e joga fora” faz sentido total. O travesseiro deixou uma marca que vai da testa até o queixo, de um lado só da cara. O uso indispensável do óculos também deixou marcas: as astes afundaram atrás da orelha criando um buraco no formato delas que encaixam automaticamente e o suporte fez duas marcas vermelhas e fundas no nariz que nenhuma maquiagem disfarça.
Quando criança a gente fica bravo com a mãe por ganhar cuecas e meias de presente. Hoje em dia, já desisti de tentar procurar uma meia que não machuque o dedinho. Quanto às cuecas, me esforço cada vez mais pra encontrar uma que não aperte tanto o saco.

Tree Hill

Outubro 22, 2009

Já que você tocou no assunto… sim. No fundo a gente sempre tá perdido. Mas no meio de tudo isso, alguém se lembrar da gente é bom. Obrigado por isso. É que eu acho que sempre fui meio mal agradecido mesmo. Mas já que você tocou no assunto…

Surfando Karmas

Outubro 15, 2009

Não sei quando foi nem o que fiz. Mas sei que desde então nada, ou quase isso, dá certo pra mim. Algumas vertentes podem dizer que parte da culpa está em vidas passadas. O famoso e tão odiavel karma. Pode estar também no meu DNA atual. Coisa que vem dos pais. E acredite, isso explicaria muito bem.
Mas o certo é que aconteceu um dia e num momento que cosmicamente tudo mudou. E desaguou finalmente agora.
Não se trata de reclamar publicamente de algo ou mais uma vez bancar a vítima. Se trata de explicitar o quão sortudo eu sou. O que a vida pode te melhorar em 6 meses pode te matar em outros 6. E assim me sinto agora. Como se Deus em sua fanfarronice me desse o doce e depois o tirasse de mim.
Em relação ao apelo divino faça-se a luz os anos em devoção e prece esperando que minha vida melhorasse. Anos pedindo por ter uma família mais estável e com menos problemas. Anos me dedicando quase incansavelmente as necessidades da família. Hora com as dificuldades financeiras, hora com as dificuldades de relacionamento. Outras horas com tios e avós. Não que dali eu fizesse como troca pela melhora vindoura e tão desejada. Mas como demonstração de fé e esperança. Alguém disse que o milagre de verdade é continuar tendo fé e esperança nos momentos de maior dificuldade. E eu pergunto agora de onde tirar essa força.
De algum tempo pra cá tudo o que era realmente importante pra mim parece se perder. Cada dia que passa meu sonho parece estar mais longe. A cada contato com o passado recente parece que uma gota a mais cai e se esvai e o conta-gotas vai ficando vazio. Meu coração é o conta-gotas.
Ninguém tem culpa por isso. Sempre achei mesmo que ninguém fosse carregar ou mesmo me ajudar a carregar minha cruz.
Acontece que teve um dia que eu pensei de verdade que isso tinha chegado ao fim. Que eu não seria mais o derrotado e que minha recompensa pela fé e dedicação tinha enfim chegado também. Depois de tanta humilhação e incertezas, ali na minha frente, a redenção. E o melhor: ela veio até mim. E ai foi até complicado porque no meio de todos os medos e anseios e cicatrizes do passado, veio fácil (no bom sentido) e singelo e cheio de verdade. Isso fez com que minhas atenções se redobrassem à possibilidade de um novo passo em falso e possível sofrimento. Outra vez, ninguém teve culpa. E já parecia o universo ou seja lá o for, tramando contra. Minha dedicação e lealdade foram tão fortes que em determinado ponto isso também foi fator de desligamento. Em 6 meses seu amor é elevado a infinita potência. E então se conclui que essa fase foi superada. Chega a hora de lutar e dividir a vida. Você foi mudado pelo seu amor. Você se adaptou as mudanças. O que era ruim já não acontecia mais. Um trabalho novo e novas pessoas e conquistas aparecem pra te dar a impressão que finalmente se está vivendo e tomando conta da própria vida. Alguns fatores mascaram isso mas esses são subtraídos pela nova fé e esperança presentes no agora firme relacionamento. E pam: acontece. E acontece ao primeiro sinal de fraqueza.
Quer dizer que a dor, a dificuldade, as incertezas e o medo só vão embora depois de muito pedir, implorar, orar, rezar… E basta um simples deslize pra que tudo de bom da sua vida suma em menos tempo que se leva pra arrumar toda sua mala de roupas na gaveta. Em 6 meses seu amor é suprimido. De algo muito especial pra apenas mais um no meio de tantos sem relevância. Transformado em algo errôneo e precipitado por todos, inclusive pelas partes envolvidas. O problema é que nunca uma tempestade vem só. O buraco sempre é mais fundo. E todos os problemas voltam também. Tudo aquilo que você era e conseguiu se livrar, volta como um demônio enfurecido libertado do inferno.
Agora eu me pergunto como fazer pra superar tudo isso de novo já que dessa vez meus sonhos foram levados ou, o que seria pior, deixados e largados por ai. Agora me pergunto como acreditar em Deus. Como ter força e fé e a mesma esperança de antes, sabendo que todo o amor do mundo não foi capaz de superar o primeiro sinal de fraqueza. O que se faz com os sonhos que foram substituidos (e não que isso seja ruim) em nome de uma nova vida. O que fazer agora que nada mais faz sentido algum. O cansaço veio forte. Os problemas apareceram em dobro.
Alguns dizem que se deve ter uma nova atitude. Deve-se mudar a percepção. Eu em parte concordo, mas daqui dentro do coração é outra coisa. A última chance era essa. Alguns diriam que eu sou jovem e tenho tempo. Também concordo: sou jovem e tenho tempo. Mas não se trata de longevidade. Se trata de coração e alma. Coração muito mal tratado e alma quebrada por tantas desventuras. Coração e alma que sentiram o amor elevado a maior potência e logo após se encontraram sem chão. De volta aos velhos tempos de espera. Espera. Espera. Espera. Espera. A isso se cede. “Enquanto todo mundo espera eu finjo ter paciência”
Não vejo mais justiça e verdade que me faça ver sentido nelas mesmas. O problema agora é continuar como se não tivesse acontecido nada quando ao mesmo tempo eu vou morrendo um pouco mais a cada dia.
Eu preciso dos dias de sol da janela. Preciso dos sorrisos da manhã. Preciso da paz que eu sentia. E preciso mais ainda da força que eu tinha em melhorar que era reflexo do exemplo que estava ao meu lado. Não quero um mundo onde eu viva em 70% quando eu aprendi como é bom estar pertinho dos 100 e como é foda de ruim estar abaixo dos 10.

Homem Simples

Setembro 9, 2009

Hoje meu coração tá doendo pra caralho! Não por acreditar no que uma vez foi prometido. Nem por tornar isso razão pra recomeçar. Nem por estar onde só se faz reclamar. Nem por fugir do que devia. Nem por pensar em pular do prédio mais alto. Nem por ser tão visceral. Nem por querer que o tempo passe depressa. Nem por ser ou não entendido. Nem por sonhar e cair. Nem por ter que levantar depois. Nem por perder o pouco que tenho. Nem por amar quem não tá nem ai. Nem por enumerar o que pode fazer doer. Nenhum homem, simples ou não, pode ignorar o que o coração sente. Só por isso.

Copenhague

Junho 30, 2009

A gente brinca de contar segredos sutis aos ouvidos e depois chora como se fossem facas e pedras. A gente cria palavras novas que nunca estarão no dicionário, só pra dizer o quanto passou perto desvendar a queda do avião. Nas nossas cabeças tudo se divide em diversão e chatice. Quando o Paul subir no palco balance a cabeça como todos vão fazer e ai tome mais um gole de cerveja e escreva isso no twitter. Há cada lance de escada que ela sobe, um trem chega na outra estação, um temporal desaba, o amor acaba, o homem vai a Lua com seu Pogobol. Ninguém ainda percebeu mas o mundo não existe mais. Apenas a faísca da física quântica que ela mesma ajudou a explicar naquelas teorias de buracos de minhoca e realidades diferentes no espaço e no tempo que descorreram continuos um em seu tempo, um em seu espaço, que já vimos em Lost. Enfim, onde está você e seu mal humor pra me abraçar como se fosse a última coisa a fazer. Preciso me lembrar de onde estava cada coisa nessa sala, antes da rajada de bolas de canhão que invisíveis passaram as paredes feitas de papel, assim como preciso lembrar de mim dentro de você. Com nossos segredos ou não. Só não te esqueça que te vi e desisto de procurar algo melhor por nós dois que não seja renunciar aquilo que estava escrito em nosso muro da rua sem saída, da casa sobrado que meus pais alugaram lá no Planalto. Copenhague pode ser aqui do lado e a Dinamarca nunca esteve tão bem. Só preciso lembrar como chegar lá.

Galão de 10 Litros

Junho 18, 2009

Não sei sobre o que isso vai diferenciar um dia comum de outros menos comuns ainda, como quando eu estava trilhando caminhos deitado em minha cama de solteiro em algum lugar perto de um abismo quase infinito, mas digo sem afastar qualquer causa incoveniente de se presupor a isso, que talvez não ter o que dizer como já foi dito outras vezes antes também, possa ser benefico. Outro ponto de vista a favor do esquecimento infâme e covarde da nossa própria falta de senso comum. O popular bom senso. Por hoje é só o que se sabe de coisas fúteis acumuladas dentro da bandeja do dia a dia tão trópego que nos encontramos presos (alguns já fuzilados). Por falta de R$4,50. A água não chegou.

Bússola

Junho 17, 2009

As folhas talvez possam dizer qual o tamanho e o peso do ar./ Um balão que talvez não saiba pra onde ir./ Qualquer vento sem movimento sem controlar o temporal./ Me traga um guarda-chuva./ Eu sei./ O caminho ficou escondido na trilha onde as folhas caíram./ Eu sei./ Se ela me escuta ou não, perdido está do problema./

O beijo talvez possa revelar qual o tamanho e o peso do amor./ Um pássaro que talvez não saiba voar./ Qualquer razão serve pra adivinhar seja o que for sem controlar o que se tornou./ Me traga se conseguir, se não me deixe lá./ Eu sei./ Igual à uma bússola você me navegou./ Tirou de mim o ar sem ter o que devolver./ Eu sei./ Se ele me ama ou não, perdido está do problema./

Não Sei Como Dizer

Maio 27, 2009

Respirar dói. E se assim for pra sempre estará de bom tamanho. Nenhum ruido mais me causa asco. Todos talvez me curassem do maior problema: Eu Mesmo.

Equilibrista

Maio 19, 2009

Diríamos, por assim dizer, e tão somente, que eu tenha aprendido a andar na corda bamba. Ainda há o que perder (sempre há) numa eventual queda, apesar da corda não estar tão alta como queria. Mas arriscar se fez necessário e, a corda subtamente, dia após dia, subirá centímetro a centímetro, tornando o que for de perder maior no tombo. No entanto só me disponho ao risco pois sei que o que há de ganhar é maior mesmo nessa altura atual que a corda se encontra.

Então digamos assim, que eu tenha aprendido a andar na corda bamba.

Conta Corrente

Maio 6, 2009

Há tanta coisa pra dizer que a gente nem sabe sobre como organizar todas as partes. Todos os traços e traçados e escritos. E mesmo as partes que diferenciam o que  o espelho vê e o que ele mostra. Hoje o cardaço do meu tênis desamarrou enquanto eu cruzava o farol prestes a abrir. Fiquei pensando num possível tropeço diante dos carros e ônibus na avenida. É como mais um passo que se desconhece. Deve-se. Não caí. Nem devia. Apenas pensei no resultado. Há então outros jeitos de ficar parado. A culpa é motivo de apressar ou, na falta de pressa, culpa-lá por vez de sua demora.

Hoje também o céu está claro e sei que amanhã levanto cedo e sigo em frente. Numa rotina chata e cansativa em que a essa teoria da pressa, ou falta dela, se aplica. Mas no fim do dia, mais exatamente no meio da tarde, quando ainda é possível voltar atrás, eu sei que isso não é a melhor idéia. O sol está exposto numa paisagem que às vezes dá-se sorte de ver.

Em questão de horas passa. Só resta a conta no banco e a vista da janela.