Copenhague

By Eder Albergoni

A gente brinca de contar segredos sutis aos ouvidos e depois chora como se fossem facas e pedras. A gente cria palavras novas que nunca estarão no dicionário, só pra dizer o quanto passou perto desvendar a queda do avião. Nas nossas cabeças tudo se divide em diversão e chatice. Quando o Paul subir no palco balance a cabeça como todos vão fazer e ai tome mais um gole de cerveja e escreva isso no twitter. Há cada lance de escada que ela sobe, um trem chega na outra estação, um temporal desaba, o amor acaba, o homem vai a Lua com seu Pogobol. Ninguém ainda percebeu mas o mundo não existe mais. Apenas a faísca da física quântica que ela mesma ajudou a explicar naquelas teorias de buracos de minhoca e realidades diferentes no espaço e no tempo que descorreram continuos um em seu tempo, um em seu espaço, que já vimos em Lost. Enfim, onde está você e seu mal humor pra me abraçar como se fosse a última coisa a fazer. Preciso me lembrar de onde estava cada coisa nessa sala, antes da rajada de bolas de canhão que invisíveis passaram as paredes feitas de papel, assim como preciso lembrar de mim dentro de você. Com nossos segredos ou não. Só não te esqueça que te vi e desisto de procurar algo melhor por nós dois que não seja renunciar aquilo que estava escrito em nosso muro da rua sem saída, da casa sobrado que meus pais alugaram lá no Planalto. Copenhague pode ser aqui do lado e a Dinamarca nunca esteve tão bem. Só preciso lembrar como chegar lá.

Uma resposta para “Copenhague”

  1. cris Disse:

    Tá inspirado… ai, ai…

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